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SÍNCOPE (DESMAIO) E LIPOTIMIA (PRÉ DESMAIO)

SÍNCOPE (DESMAIO) E LIPOTIMIA (PRÉ DESMAIO)

A síncope pode ser definida como uma perda transitória da consciência, associada a incapacidade de manter-se na posição de pé. É popularmente conhecida como desmaio. A lipotímia é a sensação de desmaio, sem que esse, efetivamente ocorra. A perda da consciência é resultado da baixa perfusão cerebral (diminuição da chegada de sangue no cérebro). A história clínica é fundamental para o diagnóstico da causa da síncope.

A síncope pode ser classificada em cardíaca ou não-cardíaca. Dependendo da população estudada, a síncope de causa cardíaca pode responder por 10 até 40% dos casos. Infelizmente, quase 50% dos casos de síncope não apresenta uma causa definida, apesar de uma ampla investigação.

Causas:

O interrogatório do paciente com queixa de síncope  deve incluir as circunstâncias que precipitaram o episódio de desmaio, sendo fundamental o relato das testemunhas do evento. A presença de sintomas (antes ou depois da síncope), como dor no peito, palpitações, náuseas, sudorese e palidez, devem ser sempre pesquisados. A circunstância da ocorrência da síncope (posição de pé, ao levantar-se, após micção ou evacuação, etc...) deverá ser pesquisada.  

A história do uso de medicamentos deve ser correlacionada quanto a possíveis efeitos colaterais. A síncope que ocorre com sintomas súbitos de perda inesperada da consciência e que se repetem com frequência sugerem arritmias cardíacas ou alterações neurológicas (tipo pequeno mal epilético). Sintomas de aparecimento mais gradual, sugerem síncope neurocardiogência (vasovagal), hiperventilação ou mais raramente, hipoglicemia.

A perda de consciência de causa neurológica - epilepsia - costuma cursar com um retorno mais demorado do nível de consciência, muitas vezes, com estado de confusão mental (estado pós-ictal).    

Síncope cardíaca:

Costuma ser súbita, sem associação com: aura (sintomas premonitórios), convulsões, liberação esfincteriana (urinário ou intestinal) ou estados pós-ictais (com sonolência e confusão mental), típicos da perda de consciência associada aos estados neurológicos.

A síncope associada a estenose (estreitamento) da válvula aórtica é geralmente associada ao esforço, acometendo  pacientes mais idosos e com a presença de um sopro cardíaco no exame clínico. A síncope na miocardiopatia hipertrófica  pode ter história familiar associada e pode ter relação com esforço, movimentação súbita para posição de pé ou ao permanecer de pé por longos períodos.

Na síndrome de Stoke-Adams (episódios de síncope por bradiarritmias, como os bloqueios atrioventriculares avançados) a recuperação é rápida, podendo ocorrer vários episódios por dia.

Alguns dados sugerem a presença de uma arritmia cardíaca como a causa de síncope: sexo masculino, idade maior que 55 anos, um ou dois episódios e duração da perda da consciência menor que 5 segundos. Uma causa rara de síncope cardíaca é um tumor benigno localizado no átrio esquerdo, chamado de mixoma atrial esquerdo, que pode obstruir a válvula mitral quando o paciente fica na posição de pé.

Síncope não-cardíaca:

Pacientes com síncope de origem em distúrbios emocionais raramente apresentam traumas com as quedas, ao contrário da síncope associada a convulsão. A principal causa de síncope tanto em jovens como em idosos é a síncope neurocardiogênica (vasovagal). Esta situação caracteriza-se por quedas do batimento cardíaco e/ou da pressão arterial (vadodepressora, vasoplégica ou mista). Falam a favor de síncope neurocardiogênica: posição de pé prolongada; ambientes estressantes (exemplo: ambiente de hospital , lugares cheios ou muito quentes); recuperação rápida da consciência; vários episódios e sintomas associados de palidez, sudorese, fadiga.

A síncope após levantar-se subitamente, principalmente em pacientes idosos e que usam antihipertensivos sugere a presença de hipotensão ortostática (queda da pressão ao adotar a posição de pé). As síncopes situacionais (após micção ou evacução), estão associadas a alterações da pressão arterial que podem ocorrer nessas circunstâncias.

Investigação da síncope:

Baseia-se principalmente no exame clínico. Exames complementares como o eletrocardiograma, Holter, ecocardiograma, Tilt-test, eletroencefalograma, tomografia do crânio, entre outros, poderão ser necessários para elucidar o caso.

Fonte: Ccardiograph

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